18/09/2012 - Conexão Wi-Fi faz eletrodoméstico "pensar sozinho"


Casas inteligentes, casas integradas e automação do lar: eis aí a velha fusão a frio da tecnologia doméstica, sempre prometida, nunca cumprida.

Elas continuam sendo motivo de fantasias para a maioria das pessoas, porque a automação doméstica tradicional depende de metros de fiação e de custos de instalação exorbitantes.

Mas pouco a pouco a automação está se infiltrando em nossas casas, graças a duas coisas que a maioria das pessoas já tem: redes Wi-Fi e smartphones.

Uma rede doméstica sem fio é a infraestrutura perfeita, de baixo custo e baixo impacto, para permitir que equipamentos se comuniquem.

E, com um smartphone, você tem um controle remoto perfeito, capaz de funcionar quando você está na sua casa ou do outro lado do mundo.
Um dos melhores exemplos para essa nova abordagem é a Nest Labs. Essa start-up do Vale do Silício lançou um equipamento de US$ 250 que, além de usar um detector de movimentos para perceber quando você está numa sala e quando você vai sair, também entra na rede Wi-Fi da sua casa para que você use o seu smartphone como controle remoto.

Isso é útil, por exemplo, quando você não quer se levantar do sofá para desligar o ar-condicionado, e ainda mais quando está saindo do trabalho e quer encontrar sua casa na temperatura ideal.

A fabricante de ar-condicionado Friedrich tem uma linha de aparelhos para janelas, chamada Kühl, que a partir deste ano oferecerá funcionalidades inéditas para Wi-Fi.

Com um aplicativo de celular, você poderá controlar as unidades de qualquer lugar onde seu telefone tenha sinal de dados.

A Belkin está oferecendo uma linha de acessórios energéticos adaptados para Wi-Fi. Você pluga um WeMo na tomada da parede e num aparelho (luminária, TV, som), e um aplicativo permite que você controle quando há energia sendo enviada a ele.

Uma unidade WeMo de US$ 50 funciona com o aplicativo de smartphone; a versão de US$ 100 agrega um detector de movimento, para que a TV seja desligada quando todo mundo sai da sala, por exemplo.

A transmissão de dados sem fio também é útil fora de casa. Antigamente, os sistemas de irrigação de gramados tinham funcionamento programado. A primeira grande evolução foi agregar sensores de chuva, que adiavam o gotejamento agendado dependendo do quanto chovesse. Mas esse sistema só reage, não prevê nada.

Controladores da HydroPoint, vendidos sob a marca WeatherTrak (o WeatherTrak ET Plus custa a partir de US$ 300), buscam informações da meteorologia para ajustar a programação de irrigação.

Se uma tempestade está a caminho, o sistema automaticamente reprograma os chuveirinhos para evitar o desperdício de água. Um aplicativo de smartphone permite o acionamento manual do sistema, a qualquer momento.

UTILIDADE QUESTIONÁVEL

Mas nem toda máquina adaptada ao Wi-Fi faz sentido. Neste ano, a Samsung apresentou dois modelos de lavadora e secadora de roupas, a WF457 (US$ 1.700) e a DV457 (US$ 1.700), que podem ser controlados e monitorados pelo smartphone.

A Samsung se esforçou em demonstrar que as máquinas enviam notificações quando a lavagem da roupa termina --"chega de voltar correndo para verificar, ou de se esquecer de esvaziar a secadora".

Isso parece uma bobagem. Afinal de contas, uma coisa é poder regular um termostato ou ligar luzes antes de você chegar em casa, mas lavar e secar roupas exige que você esteja lá (as roupas não passam sozinhas de uma máquina para outra).

Esse alerta é útil? A minha máquina já apita alto, se eu quiser. Quanto a monitorar o progresso da lavagem, espero que minha vida seja mais interessante do que isso.

Muitos fabricantes de eletrodomésticos buscam baratear e facilitar a manutenção, e o Wi-Fi pode ajudar muito.

Imagine que você tem uma geladeira com diagnóstico informatizado. O computador, com seus sensores e algoritmos, pode lhe dizer que uma correia da ventoinha está prestes a cair por causa de uma variação na velocidade da ventoinha, por exemplo.

De posse desses dados e de uma conexão sem fio com a internet, sua geladeira pede ao fabricante que envie uma nova correia para a sua casa, e avisa você para marcar uma visita do técnico.

O profissional chega já sabendo o que precisa ser feito, e com a nova peça à mão. Isso evita a tradicional visita para o orçamento, e, esperamos, permite que o conserto seja feito antes que a peça caia ou pare de funcionar.

Há vários anos as grandes e pequenas empresas de tecnologia contratam carpinteiros e técnicos para construir cômodos e casas "inteligentes" que sirvam de demonstração.

O problema dessa abordagem é que ela geralmente pressupõe um só sistema que amarre todos os seus aparelhos.

A realidade é que já estamos bem avançados no caminho da casa inteligente, mas não com uma só uma solução --e sim com muitas pequenas, aproveitando o que já temos.
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